O SENHOR PROVERÁ
Deus, Abraão e os cordeiros
Qualquer palavra pode ofender o Senhor.
Abraão mal pode abrir os olhos sem que as lágrimas o ataquem.
As palavras lhe rasgam a garganta querendo alcançar o ouvido de Isaque, mas sua boca não ousa permitir.
Qualquer palavra pode ofender o Senhor.
Amarrado sobre o altar, o único e amado filho de Abraão.
Em seus olhos inocentes, o motivo da fé daquele homem.
Não fosse pela vontade de Deus,
Abraão seria uma árvore infrutífera.
“Meu pai!”
As palavras do menino atingem o coração de Abraão como uma lança.
É uma dor que começa no peito, atormenta até o estômago e sobe violentamente para a garganta.
Como um animal preso que dilacera o homem de dentro para fora.
Amargo, Abraão não pode evitar que sua resposta saia quase muda, afogada por lágrimas de impotência. “Eis-me aqui, meu filho!” “Meu filho. Meu único filho.”
Abraão quer correr, salvar a criança, mas sabe que aquele pronome possessivo não é mais verdade.
O menino agora tem outro dono, Aquele que é dono de tudo e de todos.
Em sonho, quando lhe apareceu, o Senhor usou palavras que não permitem dupla interpretação: “Toma teu filho, teu único filho, Isaque, a quem amas, e vai-te à terra de Moriá; oferece-o ali em holocausto.”
Se a dor é uma hiena, a fé é um leão.
Os dois lutam pelo coração-presa de Abraão a cada instante.
Disputam o pedaço de carne e alma frágil do homem.
É uma luta árdua, mas a fé de Abraão não falha.
Por isso ergue o cutelo sobre o menino.
“Eis o fogo e a lenha, mas onde está o cordeiro para o holocausto?”, perguntou-lhe o menino minutos atrás.
“Deus proverá para si, meu filho, o cordeiro para o holocausto.”
A vontade de ser fiel a Deus ergueu as mãos de Abraão, fechou seus olhos e o fez desferir o golpe fatal.
“Abraão!”, gritou a voz dos céus, impedindo o movimento.
“Abraão!”
“Eis-me aqui!”, respondeu Abraão durante a queda.
De joelhos, entre lágrimas, olhava o chão onde deveria estar escorrendo o sangue de seu sangue.
“Não estendas a mão sobre o rapaz e nada lhe faças; pois agora sei que temes a Deus, porquanto não me negaste o filho, o teu único filho.”
Quando recuperou as forças, Abraão levantou-se com fé renovada, sacrificou um cordeiro que surgiu preso em um arbusto e batizou o lugar de O Senhor Proverá.
Por aquela fé, o Senhor fez grande e poderosa a descendência de Abraão, que foi para casa fervendo em alegria e esperança por saber que Deus é bom e fiel.
Tão fiel que, 1,8 mil anos depois, sacrificou seu próprio Cordeiro por amor de muitos.
(Leia Genesis 22)

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